terça-feira, 8 de outubro de 2019

Bacurau é aqui...



Não é à toa que "Bacurau", o novo filme do diretor Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles tem recebido uma aprovação geral da crítica especializada em cinema e feito tanto sucesso nos festivais, como no prestigiado Festival de Cannes, onde levou o Premio do Juri.
O futuro que ele imagina, em um longínquo povoado esquecido no sertão de Pernambuco, neste momento, parece mais próximo de nós aqui no Brasil, do que nunca.
Para não estragar a experiência de ninguém, a história que o filme conta é de que, em um futuro próximo, após a morte de Carmelita (Lia de Itamaracá), a matriarca de Bacurau, uma cidade no interior de Pernambuco, o povo começa a perceber que sua cidade desapareceu do mapa.
E este é o grande problema. Como as muitas etnias indígenas, os quilombolas e os muitos miseráveis que se acumulam em favelas, na visão da extrema direita que neste momento (des) governa este país, estes seres humanos nada ou quase nada produzem de útil para ser processado e sugado pelos exploradores que pagaram as contas de sua ascensão ao poder e por isso servem de primeiras vítimas da aplicação de sua necropolítica.
Como Hitler eliminou os judeus, os ciganos, os doentes em seu projeto de poder, sua mal acabada versão tropical quer simplesmente que estas pessoas no caminho da exploração de seus chefes gringos também desapareçam do mapa, seja pela destruição de suas terras por queimadas incentivadas pelo próprio desgoverno ou por helicópteros com armamentos de guerra que sobrevoam os morros cariocas promovendo uma chuva de balas.
Voltando ao estiloso filme, no futuro imaginado por seus autores, os sertanejos seguem suas vidas com simplicidade e com alguns tabus sobre drogas, sexualidade e religiosidade definitivamente superados.
A tecnologia continua avançando, não se tem muito clara qual seria a situação nas grandes cidades. embora algumas pistas deixem adivinhar coisas sombrias como execuções em praça pública.
Como em toda obra de arte bem realizada, "Bacurau" tem a intenção de provocar o raciocínio e a inquietação. Dois objetivos plenamente alcançados quando ao olhar para a tela constatamos apavorados pelos muitos fantasmas que enfrentamos em nosso dia-a-dia: Bacurau é aqui....

Review escrito originalmente para a Fan Page Luto é Verbo. 

sábado, 19 de agosto de 2017

Mais informações sobre "Carry Fire", o novo disco de Robert Plant



Então, pessoal...

O Pipocando Online tem uma nova razão para “pipocar” novamente. Em outubro tem um novo disco do Robert Plant chegando nas lojas e como ele é um dos "favoritos da casa", resolvi falar um pouco mais sobre este novo disco por aqui...

Ontem, foram divulgados muitos detalhes sobre “Carry Fire”,  o décimo primeiro disco de estúdio do músico e o segundo que ele grava acompanhado da Sensational Space Shifters, banda que tem trabalhado com o músico desde 2012, e com quem Plant já gravou o sensacional “Lullaby and the Ceaseless Roar”, lançado em 2014.

A música que abre o disco “The May Queen” caiu na rede ontem mesmo e está disponível em todos os serviços de streaming, em lyrics vídeo, no Youtube e para download exclusivo liberado para quem encomendar “Carry Fire”, na pré-venda no site oficial do cantor e no site da Nonesuch Records.

Musicalmente a faixa não parece trazer muitas novidades, vem na mesma pegada do repertório do “Lullaby...” e como ele é cheio de texturas, com a voz de Plant soando sexy, como sempre.

E para os que se sentiram curiosos pelo fato do título lembrar certa personagem que aparece exatamente na letra de “Stairway to Heaven”, aquela música que Plant se recusa a cantar desde o fim do Led Zeppelin, nem adianta se animar muito e ele faz questão de dizer que nem pensou em uma ligação com o maior sucesso da banda.  

Em entrevista para a BBC, Plant falou sobre esta coincidência “nem percebi que tinha isso, pra começo de conversa... tinha um arbusto de espinheiro, do lado de fora do estúdio e não tinha nada de “chegada da primavera”, nada disso. Eu só vi e pensei, nossa já é esta época do ano, em que toda a vida volta a se abrir, é sobre isso que a letra fala toda essa coisa de “Lay down in sweet surrender”, é sobre o quanto esse momento do ano é uma época de otimismo até para os mais velhos..” e continuou “... não sei se as pessoas se lembram do riso...”

O novo disco começou a ser gravado no final de 2016 e tem algumas participações especiais como a de Seth Lakeman,  multi-instrumentista e novo membro da Sensational Space Shifters, do violoncelista albanês Redi Hasa e da vocalista da banda Pretenders Chrissie Hynde, que gravou um dueto com Plant na cover da música “Bluebirds Over the Mountains”, conhecida nas vozes de Richie Valens e Beach Boys.

Agora resta esperar pela chegada do disco nas lojas (e nas nossas mãos) para saber como são as outras 10 faixas e mais ainda, para ver como as novas músicas entrarão para o repertório dos sempre maravilhosos shows do artista, que, a partir de novembro “se joga” na estrada, com shows no Reino Unido.


Era isso... ah...  quando soube que “Bluebirds Over the Mountain” era uma cover, decidi conhecer as outras versões originais e elas estão aqui neste post para você ouvir e conhecer... como será que a música ficou no dueto com a fantástica Chrissie Hynde? Será que demora muito para outubro chegar? 

"Bluebirds Over the Mountain" com Ritchie Valens




"Bluebirds Over the Mountain" com os Beach Boys: 





"... and last, but not least..." O primeiro single de "Carry Fire", "The May Queen":



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Hum... mais um filme sobre o Rei Arthur... vou querer ver... e muito

Faz tempo que não escrevo nada por aqui... mas agora, não tinha como deixar de escrever...

Hoje, foi divulgado o terceiro trailer de um filme que já tinha despertado minha curiosidade há algum tempo, por diversas razões, elenco, sinopse... e, claro... por falar mais uma vez da história do Rei Arthur...
Trata-se de "Rei Arthur: A Lenda da Espada", dirigido por Guy Ritchie e com Eric Bana, Charlie Hunnam, Idris Elba, Jude Law e Astrid Bergès-Frisbey, entre outros que incluem até uma ponta do jogador de futebol David Beckham.

Bom... abro o trailer e quase caio para trás quando descubro que a música que rola durante o trailer não é nada mais, nada menos do que "Babe, I'm Gonna Leave You", interpretada pelo Led Zeppelin.

De aguardado ansiosamente, este filme agora, para mim, ganha o status de obrigatório.

Assista ao trailer aí, povo... será que falta muito ainda para o dia 11 de Maio?


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Na volta do Pipocando Online - minhas 10 músicas favoritas

No dia em que comemoro a entrada de mais um "ano novo" em minha vida, tomei a decisão de colocar novamente este blog para funcionar.

Naturalmente estou me dedicando mais ao site Revista Eletricidade, mas não é por isso que preciso ficar  escrevendo só lá, aqui, posso escrever de uma forma mais relax e a ideia que eu tive é trazer para cá tudo o que não couber lá e também usar o Pipocando Online para mostrar os bastidores das coberturas que eu fizer por lá.

E para re-iniciar as coisas por aqui, aí vai uma playlist com as minhas músicas favoritas. Um presente que dedico a todas as pessoas que já passaram pela minha vida, que estiveram, estarão ou estão aqui neste momento.

Como vocês já devem estar imaginando, esta lista tem muito Stones e Led... e mais uma ou duas vagas para todas as outras bandas... desculpem, sei que não deveria ser assim, mas meu coração é quase totalmente preenchido pelas minhas duas obsessões musicais e sobra mesmo muito pouco que não esteja tomado por elas.

Talvez a culpa seja a da facilidade que a internet, essa maquininha de fazer loucos, nos proporcionou, deixando tudo a distância de alguns clicks, talvez seja o pouco tempo livre que sobra, entre um click e outro, que nos dá essa urgência de ver o que mais nos agrada, em detrimento de outras, que poderiam abrir um leque de maior variedade.

De qualquer jeito, acabo conhecendo mesmo o novo, nem que seja pela obrigação... ainda trabalho com crítica musical e ouvir música toma uma parte significativa dos meus dias. 

Mas chega de falar... aumenta o som, que aí estão as 10 músicas que eu mais amo no mundo, escolhi versões muito especiais, ao vivo, de cada uma. Espero que vocês gostem:


10. U2 - With or Without You




9.Rolling Stones - No Expectations 



8.Queen & David Bowie - Under Pressure



7. Van Halen - When It's Love



6.Neil Young - Harvest Moon




5. David Bowie - Heroes



4.Robert Plant - Going to California




3.Rolling Stones - Wild Horses



2.Rolling Stones - Gimme Shelter




1.Page & Plant - The Rain Song













domingo, 7 de fevereiro de 2016

Rolling Stones no Chile - Como foi a apresentação


Ontem, depois de colocar as coisas em ordem no meu site, que estava com diversos bugs, consegui ver um pouco do show de Santiago. O que eu vi, nos infinitos vídeos postados no Youtube, não dá para escrever uma crítica como se deve, mas já foi suficiente para perceber uma porção de coisas.

Primeiro, uma observação geral, nas turnês mais recentes da banda, o palco mais simples, sem tantas distrações, aumentou bastante o foco do público sobre a banda, mas também o foco da banda. Acho que nunca os tinha visto tocando melhor, concentrados mesmo no que estão fazendo no palco, ao mesmo tempo em que trocam entre si sorrisos e olhares que, do lado de cá, servem para lembrar que aqueles caras que estão ali, já estão juntos há quase 54 anos.

Sei que a cumplicidade entre os membros dos Stones é até um assunto batido, mas é um alívio, vê-los com os olhos brilhando e um sorriso nos lábios ainda maior, sem aqueles momentos tensos de algum tempo atrás, que aconteciam cada vez que Mick ou Keith acidentalmente aproximavam-se demais um do outro.

Agora não, cada um deles carrega um sorriso largo, até Charlie Watts, geralmente o mais ranzinza, dentro e fora do palco, parece muito mais relaxado. Assim, nesta apresentação que começa a nova turnê sulamericana da banda, todos parecem felizes e  livres para mostrar toda a musicalidade que acumularam em tanto tempo de estrada.

Nesta época de crise (não se enganem, a crise econômica não é uma exclusividade dos brasileiros), os Stones optaram por reaproveitar o palco e os vídeos de abertura da Zip Code, com poucas mudanças, como as multicoloridas molduras, em volta dos telões e sobre o palco, que, em conjunto com a iluminação do show, deixam tudo ainda mais bonito de se ver.

Falando em beleza, continua impossível tirar os olhos de Mick Jagger durante toda a apresentação. Aos 72 anos, este senhor sobre o palco continua sendo o maior front man que este planeta já viu, ponto. Ninguém se move como ele e muito poucos têm a ousadia e a gentileza de conversar com o público, na língua do público, qualquer que seja ela.

E a voz? Continua lá, quase intacta, junto com os incríveis olhos azuis, que costumam brilhar no escuro... e não estou exagerando... Mick talvez deveria ser estudado pela ciência.

Para quem já os viu por aqui anteriormente, além do palco mais simples, existem duas mudanças bastante sensíveis no chamado "time de apoio" da banda; primeiro, após a morte do saxofonista Bobby Keys,em 2014, um dos músicos de apoio mais importantes e uma presença garantida no palco dos Stones desde a década de 70, agora substituído por Karl Denson. Outra ausência sentida nesta turnê sul americana, a vocalista Lisa Fischer, com compromissos de sua carreira solo, foi substituída por Sasha Allen.

E depois da performance impecável de ambos, os fãs talvez estejam mais aliviados ao perceber que os dois novatos estão a altura da tarefa difícil que receberam.

E já que falei bastante de Mick Jagger, na época da turnê "Steel Wheels", no início da década de 90,  disse em uma entrevista que existe uma lista de canções que precisam fazer parte da setlist, ou as pessoas sairiam dos shows insatisfeitas, muito por conta disso, existem poucas "vagas" disponíveis na grade básica, para cavar mais fundo no baú gigantesco de raridades da banda e trazer para o palco coisas mais antigas e/ou obscuras. No Chile, estas vagas ficaram na mão de "Paint It Black" e "She's a Rainbow"; esta última escolhida através do voto dos fãs.

O set do Keith, aquelas 2 músicas em que Mick deixa o palco para um descanso rápido, e o guitarrista assume os vocais, desta vez teve "You Got the Silver"; uma raridade do disco "Led It Bleed" (69), que andava esquecida, mas que apareceu no repertório de "Shine a Light" (2008) e tem ido e vindo nas setlists da banda desde então. "Happy" já é uma presença bem mais comum no repertório da banda e costuma colocar aquele sorriso gigante no rosto dos velhos fãs.

A presença de "Out of Control" também é algo de positivo nesta setlist. Saída do disco "Bridges to Babylon" (97) a música foi bem recebida pelo público, que só entra verdadeiramente em "combustão" quando ouve os hits mais conhecidos.

Para nós, aqueles fãs que sonham em ouvir também aquele "lado B", as faixas que acabaram de fora da história da banda, não é fácil, mas é necessário  lembrarmos que os shows dos Stones não são mais aquilo que nos fizeram amar a banda a primeira audição, naquele velho vinil que herdamos dos nossos pais ou avós; hoje em dia, essas apresentações são para um outro tipo de público, aqueles que provavelmente conhecem mais ou menos uma ou duas músicas dentro daquela grade de obrigatórias a que Mick se referiu na entrevista.

Pior ainda, aquele tipo de público que vai aos shows mais importantes apenas para mostrar  aos amigos através das redes sociais. O preço salgado dos ingressos, infelizmente, provoca isso. A presença de "espectadores ostentação"; que, como turistas, pegarão fila, passarão horas de pé, ao seu lado, lá no estádio e você ainda os flagrará, de costas para o palco, gravando vídeos curtinhos, berrando nonsense a plenos pulmões,  fazendo pose e até usando a camiseta da banda, mas sem sequer saber direito o que estão fazendo por lá... triste, né?


Confira o vídeo que os Rolling Stones postaram em seu canal oficial, gravado no Chile:

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Divulgada primeira faixa de novo disco solo de Keith Richards

Foi só a Zip Code Tour terminar para Keith Richards  liberar a divulgação do primeiro single de seu novo disco "Crosseyed Heart", através de seu canal oficial no Youtube.

A faixa chega de surpresa na  rede,  dois dias antes da data que foi anunciada no press release oficial da gravadora. "Trouble"  é  um rock cru, com aquela sonoridade stoniana que sempre fez a alegria dos fãs da banda.

Agora resta aos fãs esperar pela chegada do disco às lojas, agendada para o dia 18 de Setembro.

Ouça "Trouble", o primeiro single do disco "Crosseyed Heart" de Keith Ricards: 




Você encontra mais detalhes sobre  "Crosseyed Heart"  na Revista Eletricidade.



segunda-feira, 13 de julho de 2015

É hoje: Dia Mundial do Rock!



Desde meados da década de 90, todos os anos, quando chega o dia 13 de Julho, uma boa parcela da população do Brasil, a mesma que não encontrou os ouvidos no lixo, têm uma razão extra para abrir os olhos e sorrir. É o "Dia Mundial do Rock"!

Digo isso porque,  apesar do "Mundial" que colocaram na data, ela só é comemorada por aqui e, assim,  serve para lembrar e comemorar esse gênero musical que, convenhamos, continua bem distante do gosto médio musical do brasileiro, sempre mais próximo de coisas, que, para quem conhece e gosta de rock, chegam a ser insuportavelmente ruins.

O dia 13 de julho foi escolhido porque comemora a  realização, em 1985,  do Live Aid, um grande show para arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia, um país africano que passava por uma terrível situação de seca.

Os shows contaram com apresentações de grandes nomes da música  como  The Who,  Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen,  Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton e Black Sabbath, entre outros que se dividiram por dois palcos, um na Inglaterra e outro nos Estados Unidos, transmitidos pela TV para o mundo inteiro.

E para comemorar vale tudo.... principalmente ir lá no Youtube e revirar os arquivos do site em busca de uma lista das melhores bandas, músicas, shows, videoclipes... enfim.... aquilo que faz o coração de todo o roqueiro que se preze acelerar para acompanhar a batida da melhor música do planeta!

Se você ainda está em dúvida, dá uma olhada nesta lista aqui.... com as  10 canções que todo mundo conhece ou deveria conhecer para acabar de vez com essa cara de ué, que está fazendo agora, e trocá-la por um  largo sorriso de quem olha para uma coleção matadora de clássicos:

1. Led Zeppelin - Kashmir


2. Rolling Stones - Gimme Shelter


3. The Who - My Generation


4. Queen - Bohemian Rhapsody


5. Beatles - Helter Skelter


6. Black Sabbath - Paranoid


7. AC/DC - Highway to Hell


8. Chuck Berry - Rock & Roll Music


9. Elvis Presley - Jailhouse Rock


10. Bob Dylan - Like a Rolling Stone



domingo, 12 de julho de 2015

Rolling Stones - 53 anos da Maior Banda de Rock n' Roll do Mundo




Parece mentira, mas neste mesmo dia 12 de Julho de 1962, há 53 anos, Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Ian Stewart e Dick Taylor subiam pela primeira vez no palco do Marquee Club.

Naquele dia, com o nome tirado de uma música do bluesman Muddy Watters nasciam os Rolling Stones, a instituição que surpreendentemente se mostraria a mais sólida de todas dentro do efêmero mundo do rock n' roll.

E como instituição, ela continua quebrando todas as regras, até aquela que diz que o rock é um gênero de música voltado a um público jovem e por isso, deve ser feito por jovens... pois é... quase todos os jovens que estão no palco, já passaram dos 70 anos e não parecem nada dispostos a se aposentar. Na verdade, as últimas notícias sobre a banda que está terminando sua turnê Zip Code, no próximo dia 15, dão conta que, em breve, poderemos conferir uma mega exposição batizada "Exhibitionism", sobre a banda, programada para começar em Abril de 2016, em Londres.

Antes dela começar, em setembro, o guitarrista Keith Richards lança "Crosseyed Heart", seu quarto disco solo e já andou dizendo que está louco para voltar ao estúdio com a banda para gravar um novo disco dos Rolling Stones.

Existem também rumores ainda não confirmados de que os Stones poderiam trazer seus shows para uma grande turnê pela América do Sul, no final de 2015, de qualquer jeito, a agitação destes senhores parece nunca terminar.

E se o nome diz que são pedras que rolam, elas parece que continuarão rolando, desafiando o tempo e a nossa imaginação, eles continuam sendo a "Maior Banda de Rock de Todos os Tempos".

E para ilustrar esta pequena homenagem aos Stones, preparei uma lista com as minhas 10 músicas favoritas do extenso repertório dos Rolling Stones, uma tarefa bem difícil, porque sobram tantas músicas importantes quando de precisa fazer com que caibam nos dedos das mãos aquele que é o repertório que considero a trilha sonora da minha vida, mas vamos lá... com vocês... as favoritas de sempre. Longa vida aos Rolling Stones!


1.Gimme Shelter



2.Sway



3.Wild Horses



4. Jumping Jack Flash



5. You Can't Always Get What You Want




6. Time Is On My Side



7. Miss You



8. Waiting On a Friend



9. Satisfaction



10. Sympathy For The Devil



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Filmes que verei em 2015 - parte 2

O cinema britânico é um dos "preferidos da casa" e lá vão dois filmes que estreiam em 2015, que certamente já estão na minha lista...

A Little Chaos

Uma designer de jardins recebe a maior de todas as missões de sua vida, projetar os jardins do palácio de Versalhes, uma posição que a coloca bem no centro da corte do Rei Luis XIV.
O filme fica mais imperdível ainda quando damos uma olhada no elenco:  Kate Winslet, Alan Rickman, Stanley Tucci. Ah, e antes que eu me esqueça, a direção é do próprio  Alan Rickman.
"A Little Chaos" estreia nos EUA no dia 27/03 e ainda não tem nem um nome em português, nem uma previsão de estreia no Brasil.

Assista ao trailer de "A Little Chaos" com Alan Rickman e Kate Winslet:




A Royal Night Out

No dia em que a Segunda Guerra Mundial terminou, em 1945, com a vitória dos Países Aliados, a festa tomou as ruas de Londres. No Palácio de Buckingham, duas adolescentes, as princesas Margaret e Elizabeth, ganham uma licença especial para irem festejar fora do palácio, onde encontrarão romance, mas também o perigo.

No elenco estão Sarah Gadon, Emily Watson, Rupert Everett e o filme é dirigido por Julian Jarrold.

"A Royal Night Out" estreia no Reino Unido no dia 15/05. Ainda não tem previsão de estreia no Brasil, nem nome em português.


Assista ao trailer de "A Royal Night Out":



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Filmes que verei em 2015


Agora, depois do Carnaval, quando o ano definitivamente começa por aqui, entram em cena os planos de como será 2015. E posso iniciar em uma das minhas frentes favoritas, a cinematográfica.

Sempre que for possível, tenho a intenção de trazer para cá os filmes que chamaram a minha atenção na agenda de estreias e chamarei esta lista de "Filmes que verei em 2015".


O Exótico Hotel Marigold 2

Vocês lembram do simpático "O Exótico Hotel Marigold", de 2011, com Judi Dench, Maggie Smith, Tom Wilkinson, Bill Nighy e Dev Pattel, entre outros, ganhou uma sequência. "O Exótico Hotel Marigold 2" estreia hoje no Reino Unido e deve chegar ao Brasil no dia 07 de Maio. Além da volta de diversos atores do elenco do primeiro filme, como Judi Dench e Maggie Smith, a sequência trará também o galã Richard Gere.

Na história, Sony Kappor (Dev Patel) se prepara para casar-se com com Sunaina (Tena Desae), mas também precisa cuidar da expansão do Hotel Marigold que anda pequeno demais para a demanda dos novos hóspedes.

Trailer de O Exótico Hotel Marigold 2



Cinderela 2015

A história é clássica e vem sendo filmada e refilmada em todos os formatos possíveis, desde que existe cinema. Esta nova versão é assinada pelos estúdios Disney e traz no elenco Lily James, Helena Bonham Carter, Richard Madden  e Cate Blanchett. A direção é de Keneth Branagh, o que torna tudo ainda mais irresistível. A estreia no Brasil está prometida para o dia 26/03.

Trailer de Cinderela 2015


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Robert Plant lança video ao vivo

Prestes a vir ao Brasil, para diversas apresentações, inclusive no Festival Lollapalooza 2015, Robert Plant divulgou em seu twitter um novo videoclipe gravado ao vivo para a música "Turn It Up".

Depois de lançar "Lullaby and the Ceaseless Roar" que foi considerado pela crítica e pelo público um dos melhores discos do ano de 2014, Robert Plant apresenta mais um vídeo ao vivo do repertório do novo disco e do novo show.

Apresentando-se ao vivo na Roundhouse, no iTunes Festival, em Setembro de 2014, Plant se mostra em forma cantando sobre uma inacreditável massa sonora criada por sua banda, a Sensational Space Shifters.

A letra de "Turn It Up" faz referência aos anos em  que o ex-vocalista da banda Led Zeppelin passou nos EUA pesquisando mais profundamente a música americana, uma de suas maiores obsessões.

E depois da longa temporada americana, que rendeu os discos "Raising Sand" (2007) e "Band of Joy" (2010); o músico volta a mergulhar em suas origens em "Lullaby and The Ceaseless Roar", um disco que impressiona especialmente pela sonoridade que é resultado de uma mistura de músicos com origens e estilos completamente diversos.

A formação do Sensational Space Shifters conta com os guitarristas Justin Adams e Liam “Skin” Tyson, o baixista Billy Fuller,  o tecladista Jon Baggott,  o multiinstrumentista africano Juldeh Camara e o baterista Dave Smith.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Filmes que eu quero ver em 2015: Danny Collins

Mesmo ainda às voltas com o auge da temporada de premiação, assistindo a todos os candidatos ao Oscar que chegam aos cinemas, ainda existe muito mais coisas que chamam a minha atenção, quando o assunto é cinema.

"Danny Collins" é o novo trabalho de Al Pacino, que chega aos cinemas em Março de 2015. O filme de estreia do roteirista Dan Fogelman  conta a história de Danny Collins, um velho rockstar que decide mudar de vida quando encontra uma carta que foi escrita para ele por ninguém menos do que John Lennon.

Além de Al Pacino o filme tem Anette Benning, Jennifer Garner e Christopher Plummer   no elenco. "Danny Collins" chega aos cinemas americanos no dia 20/03 e ainda não tem uma data de estreia prevista para o Brasil. Para mim, parece imperdível....

Confira o trailer de "Danny Collins"





quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Os 20 anos de Unledded



Se existe um disco que eu acredito lidera a lista dos que eu jamais conseguiria me separar, este disco é "Unledded - No Quarter", da dupla Jimmy Page e Robert Plant.

E como este disco está completando 20 anos de gravação, resolvi pesquisar um pouquinho sobre o assunto e o resultado é este post, escrito com muito amor por este trabalho que foi o maior responsável por eu ter me apaixonado pelo Led Zeppelin, "centenas de anos" depois do final da banda.

O ano era 1994 e Robert Plant fazia uma turnê de divulgação do seu disco "Fate of Nations" por aí, chegou até a passar pelo Brasil, durante o extinto festival "Hollywood  Rock".

Um ano antes, em 93, ele criticava para quem quisesse ouvir  o fato de Jimmy Page ter escolhido David Coverdale como vocalista para um novo trabalho, o disco "Coverdale Page", que,  no papel,   tinha um enorme potencial para fazer a carreira do ex-parceiro decolar novamente.

Mas na prática ficou muito aquém das expectativas e revelou-se um desastre logo de saída, quando os poucos shows da dupla, no Japão, se mostraram bem distantes do que se esperava. Dizem, em parte, pela insistência de David Coverdale de tentar cantar músicas do Led Zeppelin sem ter o material vocal necessário,  provando definitivamente que as críticas que Plant fazia não eram assim tão sem sentido.

Mas do lado de Robert Plant, as coisas  não íam tão bem assim, com a sua turnê do disco "Fate of Nations" fazendo muito menos sucesso do que ele esperava, a chegada de um convite da MTV, para realizar um "Acústico", pareceu um projeto que poderia ajudar a melhorar o panorama. Afinal, os tais programas tinham feito bem a carreira de muitos veteranos como Rod Stewart, Eric Clapton e Neil Young experimentaram verdadeiros renascimentos depois de lançarem seus acústicos.

Mas veio do empresário de Plant, Bill Curbishley, que na época também empresariava Jimmy Page, a ideia de trazer o guitarrista para o projeto.

O primeiro encontro entre ambos aconteceu ainda em 93 e Plant não foi para ele com as "mãos abanando"; levou algumas fitas com loops que tinha encomendado ao produtor francês Martin Meissonnier, especialista em música do Norte da África. Queria criar material novo ao lado do antigo parceiro e a partir dos coloridos sons árabes, os dois fizeram "Wah-Wah", "City Dont Cry" e "Yallah".

A outra música inédita, "Wonderful One" era uma balada romântica maravilhosa, mas encaixava-se melhor  no catálogo anterior de criação da dupla, do que nesta nova onda de oriente-ocidente a que Plant tentava dedicar-se no momento.

Estava começando a acontecer a coisa mais próxima de uma reunião do Led Zeppelin, que Robert Plant permitiria que acontecesse nos anos que vieram depois do final trágico da banda em 1980. Fugindo da sombra da banda, Plant aceitou recriar muitas músicas do repertório do Zeppelin para o "Acústico", mas respondeu com um sonoro "não"  a sugestão de Page de trazer John Paul Jones.

Os dois artistas retomaram o trabalho em abril de 94 e passaram a ensaiar, depois de participarem juntos em um show em homenagem a Alexis Korner.

Aos dois,  se juntaram o baixista Charlie Jones e o baterista Michael Lee, que faziam parte da banda que vinha acompanhando Plant em sua turnê solo. O tecladista Ed Shearmur veio em seguida e Hossam Ramzy, um percussionista e compositor egípcio também foi recrutado e ele foi buscar na cena londrina de clubes de música árabe, os músicos que fariam parte de seu "Egyptian Ensemble".

E já que o "tempero" que Plant buscava era árabe, nada mais adequado do que escolher a música "Kashmir" para começar o trabalho de adaptação das músicas do Zeppelin a uma nova sonoridade, que as tornasse mais uma vez interessantes para o vocalista desejar novamente cantá-las.

Nos ensaios, ele era claramente o líder, tanto chamando mais músicos para o projeto como o guitarrista do "The Cure", Porl Thompson e Nigel Eaton e seu hurdy gurdy, um instrumento popular durante a Renascença que fez toda a diferença na nova versão que a banda apresentou para a música "Gallows Pole".

A cantora britânica, de origem indiana Najma Akhtar foi escalada por Plant para recriar o dueto da música "Battle of Evermore".

Plant tomou a frente de tudo durante os ensaios feitos no andar de cima de um Pub, próximo de onde ele vive, e seguiu dando as cartas nas gravações, no início do mês de agosto, primeiro em Marrakech, no Marrocos e na semana seguinte em Snowdonia, no País de Gales.

A gravação do programa aconteceu em três apresentações, em um estúdio de TV em Londres nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 1994. A London Metropolitan Orchestra também participou do trabalho e o resultado foi para o ar, na MTV, no dia 12 de Outubro de 1994.

No Brasil, o Unledded foi apresentado pela primeira vez no dia 17 de Novembro de 1994, com direito a uma curta visita de Page e Plant ao Rio de Janeiro para a divulgação do lançamento.

Em 2004, comemorando os dez anos de lançamento do disco, um DVD com o show apresentado pela MTV trazia ainda algumas faixas que tinham ficado inéditas, como a maravilhosa versão para "The Rain Song", tão definitiva para a música, quanto a impecável e emocionante "Kashmir", que encerra a apresentação.

Não importa o que fizeram depois e até mesmo a reunião de 2007, nada chega perto da sensação de ver estes dois gênios da música trabalhando juntos e revendo obras tão lindas como "Thank You", em um momento em que ambos estavam ainda no ápice.

Posso ficar aqui por horas descrevendo o disco e o DVD, mas acredito que nada substitui a experiência de assisti-lo, de preferência com todas as luzes apagadas e com um bom incenso de sândalo queimando por perto. Ah... o som tem que estar no talo.... Recomendadíssimo.... 

No Quarter - Page & Plant (1994) 

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Feliz Aniversário, Deus Dourado!




Robert Plant faz hoje 66 anos e por isso preparei uma seleção diferente de vídeos do melhor vocalista da história do rock.

Desta vez, selecionei alguns bons momentos do artista em diversos programas de televisão em que ele tem aparecido ao longo dos anos. São entrevistas de diversas fases que talvez nos ajudem a compreender melhor este personagem que tantas vezes já demonstrou que não foge de controvérsias.

Inquieto, ele sempre estará aonde sua "Musa" o levar e neste momento, prepara-se para lançar um novo disco, que segundo ele, o traz de volta a suas raízes, mas sem abrir mão de toda a sonoridade exótica, que sua banda, a Sensational Space Shifters, for capaz de criar.

Parabéns ao eterno "Deus Dourado" e muito obrigada por sua música....


Robert Plant Interview 1975




Robert Plant Interview - The Tube (1982)


Robert Plant 1983 Mtv Interview




Robert Plant on George Stroumboulopoulos Tonight: INTERVIEW






sábado, 26 de julho de 2014

Mick Jagger faz 71 anos hoje



Hoje é um dia a ser comemorado por todo mundo que gosta de música, mais especificamente, de rock. Mick Jagger, o melhor performer que já pisou sobre esta terra, completa hoje 71 anos.

Há 50 anos, ele já era o performer, compositor, letrista, rebelde, provocativo, revolucionário,  um agente da arte e da música, com carisma e poder suficientes para apavorar pais e autoridades com sua atitude e cabelos excessivamente longos.

E depois de um longo e turbulento caminho, chega hoje aos 71 anos em plena forma, como não é comum aos rebeldes, ainda irresistível quando sobe em um palco, como nunca tinha acontecido antes com nenhum performer e com uma obra que não só mudou os rumos de tudo, lá entre as décadas de 60 e 70, como continua muito viva e com um viço que só continua existindo em coisas que foram feitas para durar para sempre.

Seu trabalho com os Stones é do conhecimento de todos e pode ser encontrado com facilidade em todos os lugares, então optei por uma lista de coisas que o Mick Jagger fez sem os Stones, discos solo, projetos com outros artistas e participação em trilhas sonoras, que, mesmo sem ter a devida atenção do público,  não deixam de impressionar pela qualidade de gênio, que Mick colocou em todas elas.


Sweet Thing




Old Habits Die Hard



Just Another Night



Hard Woman



Visions of Paradise



Say You Will



Lucky In Love



Don't Tear Me Up



Let's Work



Dancing In the Street




domingo, 20 de julho de 2014

Próximo disco de Robert Plant marca volta às suas antigas raízes




O novo disco do cantor Robert Plant chega às lojas no dia 09 de Setembro. Mas antes disso, ele postou em sua conta no Youtube este pequeno vídeo onde fala um pouco sobre esta sua nova aventura.

Gravado próximo às fronteiras com o País de Gales, o vídeo tem como trilha sonora pequenos trechos de músicas do novo álbum, como "Rainbow", "Little Maggie" e "Turn it Up" e também traz um curto depoimento do guitarrista Justin Adams, membro da banda Sensational Space Shifters e parceiro de Plant na nova safra de canções de "Lullaby and... the Ceaseless Roar".

Segundo Plant, no novo trabalho ele volta a mergulhar em suas antigas raízes celtas, mas como com ele, nada é assim tão simples e a banda que o acompanha tem uma enorme e variadíssima bagagem musical, podemos esperar por uma inusitada mistura e, em alguns momentos, ter a impressão que estamos ouvindo a música feita em uma impossível fronteira que separa o País de Gales dos países do Norte da África.

"Lullaby and... the Ceaseless Roar" é o décimo disco da carreira solo de Robert Plant e o primeiro ao lado da Sensational Space Shifters, a banda que acompanha o cantor em seus shows ao vivo desde 2012 e é formada por Justin Adams,  Liam "Skin" Tyson, Billy Fuller,  John Baggot, Dave Smith e Juldeh Camara.
Em sua atual turnê europeia, que incluiu uma apresentação no prestigiado Festival de Glastonbury, Robert Plant e o Sensational Space Shifters tem apresentado algumas das 11 faixas do novo disco, bem como velhos clássicos do eterno vocalista do Led Zeppelin como "Going to California", "No Quarter" e "Down to the Sea". Confira a seguir a lista completa de faixas de "Lullaby and... the Ceaseless Roar": 

1.Little Maggie   
2.Rainbow
3.Pocketful of Golden
4.Embrace Another Fall
5.Turn It Up
6.A Stolen Kiss
7.Somebody There
8.Poor Howard
9.House of Love
10.Up on the Hollow Hill (Understanding Arthur)"
11.Arbaden (Maggie's Babby)

terça-feira, 1 de julho de 2014

Robert Plant em Glastonbury



Enquanto as pessoas por aí, continuam aproveitando cada oportunidade para cobrar que Robert Plant volte imediatamente ao Led Zeppelin, ele prefere seguir com sua própria vida e afastar-se cada vez mais dos velhos fantasmas do passado.

E que melhor forma de reafirmar isso, do que tocar no Festival de Glastonbury para um público de todas as idades, uma mistura colorida e alegre, que, não se importou nada com uma chuva torrencial e continuou por lá, disposto a divertir-se?

Embora Plant não queira mesmo nada com seu passado no Led Zeppelin, ele começa o show evocando esse passado... "Babe, I'm Gonna Leave You" aparece em uma versão arrepiante, com o exotismo da guitarra acústica, que empresta sua sonoridade do flamenco,  e não deixa muito espaço para sua versão folk original e um dos cavalos de batalha dos antigos shows de sua ex-banda, sombras de nuvens pesadas sobre o palco. Será que do meio delas, o velho Zepelim surgirá novamente?

Não, de jeito nenhum... e é preciso deixar claro que, no que depender dele, a velha banda não voará nunca mais e o que melhor para isso do que "Tin Pan Valley" e sua letra ácida? Lá está ele dizendo mais uma vez: "Não importa o que vocês querem, eu não tenho a intenção de viver das minhas glórias antigas, estou seguindo adiante...."

E, como disse antes de embarcar em uma versão afro, árabe, qualquer coisa, menos rock, de "Black Dog"; esta será uma jornada de misturas entre a música do ocidente e do oriente. É assim que ele quer, se a plateia se choca, ouvindo velhos clássicos pintados com outras tintas, montando  cenários irreconhecíveis, problema da plateia.

Pintar com tintas diferentes é a especialidade dessa banda que acompanha Robert Plant hoje em dia. Com músicos como multiinstrumentista Juldeh Camara, da Gambia, e o guitarrista Skin Tyson, a Sensational Space Shifters é capaz de construir qualquer clima, evocar oriente ou ocidente, folk ou África, viaja na velocidade da luz para qualquer parte do mundo.

Justin Adams, o outro guitarrista, tem anos de influências árabes em seu currículo e adiciona temperos extras a tudo, exercendo o comando da banda que traz também John Baggott, Billy Fuller e Dave Smith.
Uma banda completa, que no palco de Glastonbury se mostra tranquila, feliz e verdadeiramente talentosa, imprimindo sempre sua personalidade, longe de  qualquer preocupação com as possíveis comparações com os monstros lendários do passado, sempre a espreita, momentaneamente trazidos de volta pelos gritos de um ou outro na plateia, pedindo por alguma música.

A beleza eterna de "Going to California" parece saciar momentaneamente a fome de passado do público, mas o artista quer retomar seu caminho rumo ao futuro. Seu novo disco "Lullaby and…The Ceaseless Roar", gravado com a Sensational Space Shifters, já está pronto e  chega às lojas no dia 9 de Setembro. Saem dele duas músicas do repertório do show, "Little Maggie" e "Rainbow" que são muito bem recebidas, encaixando-se como uma luva, em um bloco de sonoridade mais folk.

A apresentação é curta, é preciso dar mais ao público que os chama de volta  depois de uma arrasadora "Whole Lotta Love"  e a banda ressurge no palco para "Rock and Roll", um daqueles hinos, que,  Robert Plant nunca conseguirá manter longe de seu repertório. O público, mais uma vez encantado, agradece.

Setlist completo de Robert Plant and the Sensational Space Shifters em Glastonbury (28/06/2014)

Babe, I'm Gonna Leave You
Tin Pan Valley
Black Dog
Rainbow
Going to California
 The Enchanter
 Little Maggie
What Is and What Should Never Be
 Fixin' to Die
Whole Lotta Love / Who Do You Love
 Bis:
 Rock and Roll

domingo, 20 de abril de 2014

O adultério segundo Paulo Coelho



A crítica acaba de receber ainda mais munição para combater um dos autores que mais ama odiar, o brasileiro Paulo Coelho lançou seu vigésimo sétimo livro, "Adultério".
Desta vez, Paulo conta a história de traição de Linda, uma bela e rica jornalista de 31 anos, casada e com dois filhos, que repentinamente se dá conta do vazio de sua vida e decide que a única forma de voltar a ser feliz de novo seria traindo seu marido.

Desesperada pela falta de horizontes que encontra em sua vida confortável, em Genebra, ela vê no reaparecimento de Jacob König, um ex-namorado da época de escola, que agora é um político que ela deve entrevistar para seu jornal, como uma chance para conseguir a aventura que pode tirá-la de seu fundo do poço ou terminar por afundá-la ainda mais.

Paulo Coelho carrega nas tintas nas poucas cenas de sexo que o livro descreve, o que levou muitos críticos a associar o novo romance como uma tentativa do autor aproveitar a onda criada entre os leitores pelo recente sucesso de "50 Tons de Cinza", e seu apelo erótico mais explícito.

Mas não me parece o caso, na minha percepção as tais cenas fortes aparecem como a adição de algum tempero a uma insípida sopa de tédio, uma questão que o próprio autor deve estar sentindo na pele, já que agora está vivendo em Genebra, na Suiça, um lugar que pela descrição dada pelo autor, não deve mesmo fazer nada bem à saúde mental de seus habitantes; daí as altas taxas de suicídio e outras mazelas como o alto consumo de drogas que o país registra.

Segundo Paulo Coelho, a história do livro veio da descrição de um "caso real" acontecido com uma internauta, relatado em um dos muitos fóruns que discutem de tudo na rede.

Real ou não, o autor parece não ter feito muita questão de aprofundar-se verdadeiramente no assunto e o leitor ganha apenas uma história morna, sem maiores atrativos ou questionamentos, que, arrisco, não deve demorar muito a chegar devidamente adaptada por Hollywood em um cinema perto de você.


Publicado originalmente no site Revista Eletricidade


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

U2 faz apresentação no programa "The Tonight Show"

Ainda trabalhando no novo disco que não tem uma data de lançamento definida, a banda U2 participou da reestreia do programa "Tonight Show", comandado pelo apresentador Jimmy Fallon, marcando o momento em que a atração passa novamente a ser gravada em Nova York.

E aproveitando o novo cenário, a apresentação do U2 foi no topo do edifício Rockfeller Plaza, mais exatamente no septuagésimo andar, onde uma pequena, mas entusiasmada plateia e o por de sol perfeito, da cidade, assistiram à banda tocar "Invisible"; a música escolhida como primeiro single do novo disco e que também faz parte de uma campanha da fundação RED para arrecadar fundos para a compra de medicamentos para o tratamento de doentes de AIDS.

A música já arrecadou mais de 3 milhões de dólares, depois de ser exibida durante o intervalo do Superbowl deste ano, o download gratuito da canção foi disponibilizado no  iTunes com a promessa de que cada download corresponderia a 1 dólar de doação para a fundação  feita por um banco americano.

Na entrevista em si, nenhuma novidade, não trocaram mais do que uma dúzia de palavras com o apresentador, muitas piadas sobre tocar "no alto" e os famosos discursos de Bono Vox, que provavelmente serão ouvidos novamente durante a cerimônia de entrega do Oscar, já que a banda é considerada a favorita ao prêmio de Melhor Música  com  "Ordinary Love", da trilha sonora do filme "Mandela". 




Confira a apresentação completa do U2 no programa "Tonight Show com Jimmy Fallon":






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Um sociopata em Wall Street

 


É difícil enfrentar as quase 3 horas de exibição de "O Lobo de Wall Street" sem sentir algum grau de indignação. O novo longa de Martin Scorsese é incendiário e esquadrinha o mesmo mundo que Oliver Stone já tinha retratado tão bem em 1987 em seu "Wall Street - Poder e Cobiça", com seu vilão ficcional Gordon Gecko (Michael Douglas); mas com um agravante, Jordan Belfort (Leonardo Di Caprio) é um personagem real, protagonista de um grande escândalo financeiro que aconteceu durante a década de 90.

E embora a história seja real, o roteiro de Terence Winter consegue dar a ela um tom farsesco, com Belfort algumas vezes quebrando a quarta parede e dirigindo-se diretamente ao espectador.

Um jovem e ambicioso corretor da bolsa de valores que começa sua carreira em uma grande corretora de Wall Street, aprendendo com seu chefe Mark Hanna (Matthew McConaughey, simplesmente impagável), que os limites legais de seu trabalho são bastante relativos e que o importante de verdade na vida é conseguir colocar as mãos no dinheiro de seus clientes.
 
E quando a grande corretora em que trabalha o demite, em um dos escorregões da bolsa, ele não demora a perceber que pode ganhar muito mais, usando sua lábia de vendedor para empurrar para pequenos investidores, ações de baixíssimo valor.

Logo o negócio passa a ser tão lucrativo, que Belfort opta por expandi-lo, começando completamente por acaso, com Donnie Azoff (Jonah Hill), um vizinho que se demite imediatamente da loja de móveis em que trabalha após descobrir que Belfort tinha ganho 70 mil dólares em apenas um mês de trabalho.

Os dois criam uma equipe de corretores formada basicamente por pequenos traficantes, de moral duvidosa e, com eles, mais tarde, tomam de assalto a própria Wall Street, chamando atenção da mídia, que dá a Belfort o apelido de "Lobo de Wall Street" e do FBI, que passa a acompanhar bem de perto as atividades da empresa.

Com uma crueza que chega a impressionar, a câmera nervosa de Scorsese, combinada com uma boa trilha sonora, invade um universo de excessos sem limite.

Leonardo Di Caprio dá um show de interpretação, construindo meticulosamente um personagem que só pode ser descrito como um sociopata, alguém viciado além das drogas, na adrenalina de conseguir arrancar seus lucros às custas de trapaças diversas. Sempre a um passo do caricatural, mas encontrando o melhor tom de forma brilhante.

Aliás, o trabalho de todo elenco, individualmente e em conjunto é exemplar. Algumas cenas da equipe de Belfort trabalhando e/ou divertindo-se, só encontram paralelo em documentários sobre a vida animal.

E é mesmo uma pena que ele chegue para bater de frente, na disputa pelos prêmios da temporada, com filmes mais clássicos como "12 Anos de Escravidão" ou muito menos provocativos como "A Trapaça", apostas mais certas para a Academia de Hollywood, que costuma fugir dos excessos em suas escolhas.
 "O Lobo de Wall Street" é um filme memorável, imperdível e polêmico, como o cinema tinha obrigação de sempre ser.

O filme tem estreia agendada no Brasil para o dia 24/01/2014.